Nome:
Patrícia
Idade:
34 anos
Cidade:
Manaus-Am

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AMIZADE NÃO SE VENDE NEM COMPRA, SE CONQUISTA!

Serapião era um velho mendigo
que perambulava pelas ruas da cidade.
Ao seu lado, o fiel escudeiro,
um vira lata branco e preto que atendia
pelo nome de Malhado.
Serapião não pedia dinheiro.
Aceitava sempre um pão, uma banana,
um pedaço de bolo ou um almoço
feito com sobras de comida dos mais abastados.
Quando suas roupas estavam imprestáveis,
logo era socorrido por alguma alma caridosa.
Mudava a apresentação e era alvo de brincadeiras.
Serapião era conhecido como um homem bom,
que perdera a razão, a família, os amigos e até a identidade.
Não bebia bebida alcoólica, estava sempre tranqüilo,
mesmo quando não havia recebido nem um pouco de comida.
Dizia sempre que Deus lhe daria um pouco na hora certa e,
sempre na hora que Deus determinava,
alguém lhe estendia uma porção de alimentos.
Serapião agradecia e rogava a Deus pela pessoa que o ajudava.
Tudo que ganhava, dava primeiro para o malhado, que,
paciente, comia e ficava a esperar por mais um pouco.
Não tinha onde dormir, onde anoiteciam, lá dormiam.
Quando chovia, procuravam abrigo embaixo
da ponte do ribeirão Bonito e, ali o mendigo ficava a meditar,
com um olhar perdido no horizonte.
Aquela figura me deixava sempre pensativo,
pois eu não entendia aquela vida vegetativa, sem progresso,
sem esperança e sem um futuro promissor que Serapião levava.
Certo dia, com a desculpa de lhe oferecer
umas bananas fui bater um papo com o velho Serapião.
Iniciei a conversa falando do Malhado, perguntei pela idade dele,
o que Serapião, não sabia. Dizia não ter idéia,
pois se encontraram um certo dia
quando ambos andavam a toa pelas ruas.
- Nossa amizade começou com um pedaço de pão - disse o mendigo.
Ele parecia estar faminto e eu lhe ofereci um pouco do meu almoço
e ele agradeceu abanando o rabo, e daí, não me largou mais.
Ele me ajuda muito e eu retribuo essa ajuda sempre que posso.
- Como vocês se ajudam? Perguntei.
- Ele me vigia quando estou dormindo;
ninguém pode chegar perto que ele late e ataca.
Também quando ele dorme, eu fico vigiando
para que outro cachorro não o incomode.
Continuando a conversa, perguntei:
- Serapião, você tem algum desejo de vida?
- Sim, respondeu ele - tenho vontade de comer um cachorro quente,
daqueles que a Zezé vende ali na esquina.
- Só isso? Indaguei.
- É, no momento é só isso que eu desejo.
- Pois bem, vou satisfazer agora esse grande desejo.
Saí e comprei um cachorro quente para o mendigo.
Voltei e lhe entreguei. 
Ele arregalou os olhos, deu um sorriso,
agradeceu a dádiva e em seguida tirou a salsicha,
deu para o Malhado, e comeu o pão com os temperos.
Não entendi aquele gesto do mendigo,
pois imaginava ser a salsicha o melhor pedaço.
- Por que você deu para o Malhado logo a salsicha? - Perguntei intrigado.
Ele, com a boca cheia, respondeu:
- Para o melhor amigo, o melhor pedaço.
E continuou comendo, alegre e satisfeito.
Despedi-me do Serapião, passei a mão na cabeça do Malhado
e saí pensando com meus botões: Aprendi alguma coisa hoje.

Como é bom ter amigos. Pessoas em que possamos confiar.
E saber reconhecer neles o seu real valor, agindo em consonância.
Por outro lado, é bom ser amigo de alguém
e ter a satisfação de ser reconhecido como tal.

Jamais esquecerei a sabedoria daquele eremita:
"PARA O MELHOR AMIGO O MELHOR PEDAÇO".


:: Postado por Patrícia às 01h46
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A importância de ser você mesmo! 

Certo dia, um Samurai, que era um guerreiro muito orgulhoso, veio ver um Mestre Zen. Embora fosse muito famoso, ao olhar o Mestre, sua beleza e o encanto daquele momento, o samurai sentiu-se repentinamente inferior.
Ele então disse ao Mestre:
- "Por quê estou me sentindo inferior? Apenas um momento atrás, tudo estava bem. Quando aqui entrei, subitamente me senti inferior e jamais me sentira assim antes. Encarei a morte muitas vezes, mas nunca experimentei medo algum. Por quê estou me sentindo assustado agora?"
O Mestre falou:
- "Espere. Quando todos tiverem partido, responderei."
Durante todo o dia, pessoas chegavam para ver o Mestre, e o samurai estava ficando mais e mais cansado de esperar. Ao anoitecer, quando o quarto estava vazio, o samurai perguntou novamente:
- "Agora você pode me responder por que me sinto inferior?"
O Mestre o levou para fora. Era um noite de lua cheia e a lua estava justamente surgindo no horizonte.
Ele disse:
- "Olhe para estas duas árvores, a árvore alta e a árvore pequena ao seu lado. Ambas estiveram juntas ao lado de minha janela durante anos e nunca houve problema algum. A árvore menor jamais disse à maior "Por quê me sinto inferior diante de você? Esta árvore é pequena e aquela é grande - este é o fato, e nunca ouvi sussurro algum sobre isso."
O samurai então argumentou:
- "Isto se dá porque elas não podem se comparar."
E o Mestre replicou:
Então não precisa me perguntar. Você sabe a resposta. Quando você não compara, toda a inferioridade e superioridade desaparecem. Você é o que é e simplesmente existe. Um pequeno arbusto ou uma grande e alta árvore, não importa, você é você mesmo. Uma folhinha da relva é tão necessária quanto a maior das estrelas. O canto de um pássaro é tão necessário quanto qualquer Buda, pois o mundo será menos rico se este canto desaparecer.
Simplesmente olhe à sua volta. Tudo é necessário e tudo se encaixa. É uma unidade orgânica, ninguém é mais alto ou mais baixo, ninguém é superior ou inferior. Cada um é incomparavelmente único. Você é necessário e basta.
Na Natureza, tamanho não é diferença.
Tudo é expressão igual de vida. 

As sem-razões do amor

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
E nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
E com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
É semeado no vento,
Na cachoeira no eclipse.

Amor foge a dicionários
E a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
Bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca, 
Nem se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
Feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
E da morte vencedor,
Por mais que o matem (e matam)
A cada instante de amor.


(Carlos Drummond de Andrade) 


 

:: Postado por Patrícia às 01h42
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